
AULA 02

QUEM INVENTOU A PROGRAMAÇÃO NEUROLINGUÍSTICA?
Na década de 1970, um jovem chamado Richard Bandler, estudante de Matemática na Universidade da Califórnia, passava a maior parte do tempo nos laboratórios da faculdade, estudando informática e tentando entender como os computadores funcionavam.
Nesse período, ele aprendeu a lógica dos sistemas computacionais e chegou a criar programas capazes de gerar monografias sobre qualquer tema. Bastava inserir alguns termos técnicos relacionados ao assunto desejado, e o programa produzia um texto final bem estruturado, capaz de ser aprovado por qualquer banca avaliadora. Graças a isso, Bandler acabou ganhando algum dinheiro de seus colegas da universidade.
Algum tempo depois, ele conseguiu uma bolsa de estágio com um professor do Instituto de Psicologia da UCLA. Sua função era catalogar fitas de vídeo contendo seminários ministrados por Fritz Perls, criador da Gestalt-terapia, uma abordagem terapêutica considerada revolucionária para a época, com resultados rápidos e eficazes na maioria dos pacientes. Assistindo a essas gravações, Bandler foi capaz de identificar a lógica por trás das intervenções terapêuticas de Perls. Ele organizou e estruturou os padrões discursivos utilizados por Perls com os pacientes, descobrindo como suas técnicas produziam efeitos tão impressionantes.
Foi assim que Bandler identificou o que chamou de Estrutura Profunda e Estrutura Superficial. A Estrutura Superficial diz respeito ao comportamento observável e àquilo que a pessoa verbaliza. Já a Estrutura Profunda refere-se às crenças, valores, conceitos e padrões inconscientes que orientam nosso funcionamento interno.
Em outras palavras, Bandler conseguiu decodificar a Estrutura Profunda por trás da atuação de Fritz Perls, tornando possível que qualquer pessoa, inclusive ele próprio, pudesse replicar os mesmos resultados terapêuticos, aplicando os princípios e estratégias descobertos. Durante esse processo, Bandler criou um grupo de estudos na UCLA que se reunia uma vez por semana, à noite, com o aval do professor responsável pelas fitas. Nesse grupo, ele aplicava, em voluntários, as técnicas aprendidas com Perls. Pode parecer inusitado, mas é uma realidade que dificilmente aconteceria em uma universidade brasileira: um estudante de Matemática conduzindo sessões terapêuticas com pessoas, e ainda obtendo resultados tão eficazes quanto, ou até melhores, do que os alcançados pelo próprio criador da técnica. Essa história revela o quanto o preconceito e as crenças limitantes podem restringir nosso olhar sobre o potencial humano.
Em seu entusiasmo para imitar Perls, Bandler chegou a deixar crescer a barba, fumar incessantemente e até falar inglês com sotaque alemão. Foi nesse contexto que ele conheceu John Grinder, professor de Linguística na mesma universidade.
A trajetória de John Grinder também era singular. Sua habilidade para aprender línguas rapidamente, adquirir sotaques e adaptar comportamentos havia sido refinada durante sua atuação na Força Especial do Exército Americano, na Europa, na década de 1960, e posteriormente, como membro dos serviços de inteligência em operações naquele continente. Seu interesse por psicologia se alinhava perfeitamente com os objetivos da linguística: revelar a “gramática oculta” do pensamento e da ação.
Diante da semelhança entre seus interesses, Bandler e Grinder decidiram unir seus conhecimentos — Bandler, com sua experiência em computação e modelagem lógica; Grinder, com sua especialização em linguagem e comportamento. Juntos, começaram a desenvolver o que chamaram de uma "linguagem da mudança".
Dessa colaboração nasceu a Modelagem da Excelência Humana, que parte da premissa de que qualquer comportamento pode ser reproduzido por quem aprender e aplicar a Estrutura Profunda que o sustenta. A partir disso, a dupla aprofundou seus estudos modelando outros dois grandes nomes da terapia: Virginia Satir, criadora da Terapia Familiar, e Milton Erickson, criador da Hipnose Ericksoniana.
Ao analisar detalhadamente o trabalho desses dois mestres, Bandler e Grinder conseguiram identificar os padrões por trás de suas ações e intervenções. Com isso, tornaram possível que outras pessoas também pudessem reproduzir os resultados alcançados por Satir e Erickson, desde que compreendessem o como e o porquê de suas abordagens funcionarem
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